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Prefeitura consulta biólogos e veterinários para retirar capivaras dos parques de Cuiabá

Medida começou a ser analisada após denúncias de maus-tratos aos animais, além de atropelamentos e desnutrição. Cuiabá estuda a possibilidade de remoção das capivaras dos parques municipais

Denise Soares/G1

A Prefeitura de Cuiabá informou que vai consultar biólogos, veterinários e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para verificar a possibilidade de retirar as capivaras que vivem nos parques municipais para outras áreas.

De acordo com o município, há várias denúncias de maus-tratos aos animais que vivem nesses espaços.

Em Cuiabá, dois parques públicos possuem capivaras. Elas já estavam no Parque Tia Nair e no Parque das Águas antes da construção deles.

Além disso, os moradores que frequentam esses espaços relatam que há atropelamentos e muitas capivaras estariam morrendo de fome e doenças.

Um vídeo que mostra uma capivara ferida no Parque da Águas começou a circular nas redes sociais, neste fim de semana e rendeu muitos comentários sobre supostos maus-tratos vivenciados pelos animais.

A doutora em ecologia e pesquisadora do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Viviane Layme, conta que não é seguro para as capivaras e outros animais silvestres viverem em ambientes urbanos e ficarem tão próximos das pessoas e de animais domésticos.

O primeiro fator de segurança está relacionado à zoonoses desses animais, por serem vetores de doenças e também pelo risco de serem contaminados por animais domésticos.

Mesmo que os parques públicos sejam mais conservados, não são capazes de suprirem a alimentação suficiente para uma população que está em constante crescimento.

“No ambiente urbano eles não têm predadores, que seriam o jacaré e a onça. Eles são roedores então crescem muito rápido e possuem muitos filhotes, em um ambiente natural, a maior parte dos filhotes seriam predados, fazendo com que exista um próprio controle natural da população”, afirma.

O desmatamento e a transformação do período urbano têm retirado o espaço de vida desses bichos. Muitas vezes, eles começam a sair dessas áreas e vão pra a área urbanizada porque vão perdendo espaço.

Capivaras atravessaram avenida movimentada em Cuiabá

Daniela Zanenga Kehrwald/Arquivo pessoal

Em junho do ano passado, um grande grupo de capivaras foi visto atravessando a rua em frente ao Parque das Águas, em Cuiabá. Com o crescimento da população de capivaras elas começam a procurar outros ambientes e começam a ficar ilhados.

De acordo com a especialista, a análise de veterinários é necessária no estudo pelo bem-estar e para fazer a captura desses animais.

Os animais também passariam por uma triagem para checar se estão doentes e não servirem de vetores no ambiente natural.

Do ponto de vista ecológico, é preciso levar em consideração na hora de remover a população e soltar em outra área.

“Não pode separar esses bandos porque eles têm uma forma de organização social e isso precisa ser mantido nesse processo porque podem causar mais problemas. Se pegar uma parte desses indivíduos e misturar com outro bando, mesmo que solte em outro lugar cheio de alimento, pode causar conflitos e mais sofrimento entre eles”, afirma.

Já a área escolhida para a translocação passará por o estudo para saber se comporta essa nova população, porque no local pode ter outros animais da mesma espécie e também não ter recursos alimentares suficientes, podendo ultrapassar a capacidade do ambiente.

“As capivaras como qualquer outro mamífero são territoriais e eles têm um apego a área de vida onde nasceram e criaram, mesmo estando a bastante tempo em área urbana eles conseguem se adaptar, mas há todo um processo de remoção e translocação desses indivíduos”, afirma.

Por último, é necessário um monitoramento dos grupos translocados durante um período para se assegurar de que a remoção deu certo, de fato.

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